Política e Religião – 10ª Edição Maio/2018

Política e Religião – 10ª Edição Maio/2018

Distanciar-se da política é se refugiar do mundo que vivemos na qual os leigos deveriam ser os principais protagonistas. Muita pouca coisa é insubstituível na história humana. Uma delas é a política. Ainda não se inventou outra forma de nos organizar como coletividade. A política penetra em todos os espaços pessoais e sociais, da qualidade do pão do café da manhã ao acesso à saúde e à educação. Há múltiplas maneiras de fazer política, seja por participação, seja por omissão.

Na última greve dos caminhoneiros que parou o Brasil, a falta de solidariedade e omissão política da maioria do povo brasileiro, causou espanto na imprensa mundial, filas quilométricas em busca de combustíveis com preços elevados e desproporcionais ao que se reivindicava.

Se a política é “a forma mais perfeita de caridade”, como enfatiza o Papa Francisco, por ser capaz de erradicar a fome e a miséria, as estruturas políticas são passíveis de severas críticas quando favorecem a desigualdade e a corrupção.

Todos os grandes mestres espirituais foram políticos. Buda se indignou ao transpor as muralhas de seu palácio e se deparar com o sofrimento dos súditos. Jesus, na versão de sua mãe, Maria, veio para “derrubar os poderosos de seus tronos e exaltar os humildes, despedir os ricos com mãos vazias e saciar de bens os famintos” (Lucas 1, 52-53). Pagou com a vida a ousadia de anunciar, dentro do reino de César, outro projeto de vida denominado Reino de Deus. A política é uma exigência espiritual. Santo Tomás de Aquino preconizou não poder esperar virtudes de quem carece de condições dignas de vida. A política diz respeito ao outro, ao próximo, ao bem-estar da coletividade. Repudiá-la é entregá-la às mãos daqueles que a transformam em arma para defender apenas os próprios interesses.

Jesus rogou ao Pai: “Venha a nós o vosso reino”, ou seja, o projeto de Deus no qual todos “tenham vida e vida em abundância” (João 10, 10). Esta é a espiritualidade que move quem se empenha em fazer da política ferramenta de libertação, não de opressão e exclusão.

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