Anarquia? Intervenção Militar? Diálogo? Qual a solução? – 8ª Edição Outubro/17

Anarquia? Intervenção Militar? Diálogo? Qual a solução? – 8ª Edição Outubro/17

Os psicólogos costumam dizer que tudo aquilo que foi reprimido, mais cedo, ou mais tarde, aparece de forma desordenada.

Abaixo citamos alguns exemplos presentes na própria sociedade: a sexualidade reprimida, não refletida, não trabalhada em outros tempos, faz com que uma verdadeira ditadura de liberação sexual apareça por aí; as mulheres, tantas vezes caladas numa sociedade patriarcal, reverberam num feminismo que tantas vezes até sai do controle; na política, um povo enganado durante séculos, desprezado, ultrajado, chega à conclusão de que político algum é honesto, e já há os que pensam em abrir mão de um bem conquistado a duras penas: a democracia.

Por causa de todos estes fatores, dentre outros, não demorou muito para que grupos surgissem defendendo a anarquia, a intervenção militar, a monarquia, etc. Vemos hoje, pelo desencanto de muitos, a  tendência à polarização, aos extremos.

Assim, começa a surgir no espírito coletivo, uma tendência “messiânica”, fenômeno que se repete na história da humanidade, toda vez que esta é marcada pelo desencanto total.

A mesma história comprova, porém, que estes “messias políticos”, forjados pelo desencanto, mais cedo, ou mais tarde, trazem frustração.

Embora os líderes políticos tenham uma missão importante, é preciso que o brasileiro rompa com o comportamento infantil de terceirizar seu compromisso com a pátria para seus representantes.

O Papa Francisco disse algo muito interessante neste sentido: “O futuro da humanidade não está exclusivamente nas mãos dos políticos, dos grandes líderes ou das grandes empresas.

Arrisco dizer que alguns passos são importantes.

Primeiro: jamais perder a virtude teologal da esperança, e não se conformar com uma minoria má barulhenta que passa a impressão de ser maior que a turma do bem.

Segundo: Não se esquecer de um aspecto elementar da antropologia cristã que nos recorda que o homem saiu bom das mãos de Deus e que é o pecado (a transgressão às Suas leis) que distorce nele a imagem divina, e por isso, semear, desde a mais tenra idade, os valores do Evangelho de Jesus.

Terceiro: trazer à mente e ao coração a verdade de que a religião cristã não nos aliena, pelo contrário, nos desperta para a realidade e para o nosso compromisso de lutar contra o pecado e contra todo tipo de injustiça.

Tomemos cuidado com o discurso de ódio, de intolerância para com aquele que discorda de nós. Pertencemos à mesma espécie: a humana, e só isto já é razão suficiente para que ateus, cristãos, mulçumanos, feministas, heterossexuais, homossexuais, pelo menos tenham a maturidade de sentarem para conversar! Ou nas palavras de Francisco: “A existência de cada um de nós está ligada à existência dos outros. A vida não é tempo que passa, mas tempo de encontro”.

Padre Wagner Lopes Ruivo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *