Servos Inúteis

“Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei:
Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.” (Lucas 17, 10).

Segundo os costumes da época de Jesus, o servo não esperava nenhum
agradecimento pelo seu trabalho. Sentia que havia feito o que devia fazer. O
Senhor sugere que deveríamos nos portar da mesma forma após termos feito o bem. Ou seja, a necessidade da gratuidade em nossas ações.

Há um belo pensamento poético que diz: “a rosa é sem porque floresce por
florescer”. Assim também deveríamos ser nós no terreno onde Deus nos plantou.

Fazer o bem porque fazer o bem faz bem.

Santo Ambrósio dizia: “não te envaideças por teres servido fielmente, já que esse era o teu dever. O sol cumpre a sua tarefa, a lua obedece, os anjos também servem… não devemos também nós servirmos a Deus com a nossa inteligência e vontade e com todo nosso ser?”

De fato, não seríamos capazes de um só ato de bondade se a graça divina não nos sustentasse.

Por isso nos fala o Apóstolo: “é Deus quem realiza em nós o querer e o agir”. E o próprio Senhor nos dirá “Sem mim nada podeis fazer.” É deselegante e imaturo fazer o bem e tocar a trombeta diante de si como o Senhor também nos diz em seu evangelho.

Dom Aguirre, o primeiro Bispo de Sorocaba dizia: “o bem não faz barulho e o barulho não faz bem.” Seria interessante se a cada elogio que nos fosse dirigido, fizéssemos o constante exercício de redirecionarmos a glória que é devida a Deus.

É interessante uma analogia sugerida por Santo Agostinho para compreendermos melhor esta ligação da Graça divina com o bem que podemos fazer: “ao olharmos para algo constatamos que é o olho que vê, mas não poderia fazê-lo senão houvesse luz. Assim é a nossa incapacidade humana de realizar por si mesmas obras meritórias.”

Esta realidade não tem o objetivo de nos desanimar nem de nos desmerecer, antes, demonstra a solicitude, o carinho e o amor de Deus por nós seus filhos.

Como um pai que constantemente fornece os meios necessários para o
crescimento de seu filho.

São Paulo Apóstolo bem compreendeu esta realidade quando disse: “eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus que deu o crescimento. De modo que não é nada nem o que planta, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento.

Porque nós somos cooperadores de Deus.

Amem!!!

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